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Inteligência Artificial no Controle das Compras Públicas: como funciona a ferramenta Alice

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Inteligência Artificial no Controle das Compras Públicas: como funciona a ferramenta Alice

A transformação digital no setor público brasileiro avança de forma consistente, e um dos destaques recentes é a ampliação do uso de inteligência artificial (IA) no controle das compras públicas. Nesse contexto, ganha protagonismo a ferramenta Alice, desenvolvida pela Controladoria-Geral da União (CGU), que passa a atuar de forma cada vez mais integrada ao ambiente de contratações governamentais.

O que é a ferramenta Alice?

A Alice é uma solução baseada em inteligência artificial criada pela CGU com o objetivo de identificar indícios de irregularidades, fraudes, inconsistências e riscos ainda nas fases iniciais dos processos de contratação pública, especialmente aqueles realizados por meio dos sistemas oficiais de compras do Governo Federal, como o Compras.gov.br.

Diferente dos modelos tradicionais de auditoria, que atuam muitas vezes de forma posterior à contratação, a Alice trabalha de maneira preventiva, analisando grandes volumes de dados em tempo real e apontando situações que merecem atenção dos órgãos de controle e dos gestores públicos.

Como funciona a IA nas compras públicas?

A ferramenta Alice cruza informações de diferentes bases de dados do Governo Federal, incluindo sistemas de compras, contratos administrativos e cadastros de fornecedores. Entre eles, destacam-se os dados disponibilizados no Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP), que reúne informações sobre licitações e contratos em todo o país.

A partir desse cruzamento, a inteligência artificial:

  • Analisa padrões de comportamento em licitações e contratos;
  • Identifica preços fora da média de mercado;
  • Detecta vínculos suspeitos entre fornecedores e órgãos públicos;
  • Aponta possíveis direcionamentos, sobrepreços ou falhas processuais;
  • Gera alertas automáticos de risco para análise humana.

Esses alertas não substituem o trabalho dos auditores, mas qualificam e priorizam a atuação, permitindo respostas mais rápidas e eficientes.

Estratégias para prevenção de fraudes nas contratações

Com o uso da Alice, o Governo fortalece uma abordagem moderna de prevenção de fraudes, baseada em dados e tecnologia, alinhada às diretrizes da Nova Lei de Licitações e Contratos Administrativos – Lei nº 14.133/2021.

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1. Atuação preventiva

A identificação precoce de riscos reduz a chance de que irregularidades avancem até a fase de execução contratual, evitando prejuízos ao erário.

2. Monitoramento contínuo

A IA permite acompanhamento constante dos processos de compras públicas, algo inviável apenas com análise humana diante do grande volume de dados.

3. Foco em risco

Os órgãos de controle passam a concentrar esforços nos processos com maior probabilidade de problemas, aumentando a efetividade das fiscalizações.

4. Apoio ao gestor público

Além do controle, a ferramenta também contribui para orientar gestores, auxiliando na correção de falhas antes que se tornem irregularidades formais.

Impactos da tecnologia na transparência governamental

A ampliação do uso de inteligência artificial no controle das compras públicas traz reflexos diretos na transparência e na governança pública, como:

  • Maior confiabilidade nos processos de contratação;
  • Redução de desperdícios e gastos indevidos;
  • Fortalecimento da integridade nas relações com fornecedores;
  • Aumento da confiança da sociedade na gestão dos recursos públicos;
  • Alinhamento às boas práticas internacionais de controle e compliance.

Além disso, o uso de tecnologias como a Alice está alinhado à Lei nº 14.133/2021 (Nova Lei de Licitações), que reforça a importância do planejamento, da gestão de riscos e do controle preventivo nas contratações públicas.

Conclusão

A ferramenta Alice representa um avanço significativo na modernização do controle das compras públicas no Brasil. Ao incorporar inteligência artificial aos processos de auditoria e fiscalização, o Governo amplia sua capacidade de prevenir fraudes, corrigir falhas e promover maior transparência.

Para gestores públicos, fornecedores e empresas que atuam com soluções para o setor governamental, essa evolução tecnológica reforça a importância de acompanhar as mudanças nos sistemas oficiais e nas práticas de controle, garantindo conformidade, eficiência e segurança jurídica nas contratações públicas.

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Fontes oficiais de referência: